| Rio de Janeiro |
Edição #001 · 2026 |
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Especial da semana
#001 — Três que não pediram licença
Quem tem medo de ser intelectual?
Millôr, Ivan Lessa e Ziraldo passaram pela mesma redação — e provaram que rir e pensar cabem na mesma linha.
“A liberdade é uma questão de opinião. E opinião é uma questão de liberdade.”
— Millôr Fernandes
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Carta do editor
Dizer que alguém é intelectual deixou de ser elogio. Virou acusação — um jeito educado de mandar a pessoa descer do salto, parar de complicar o que era pra ser simples. Pensar demais, hoje, pega mal.
A gente discorda, com todas as letras. Nesta edição relemos três que fizeram do pensamento um esporte de contato — e que, não por acaso, dividiram a mesma redação: Millôr Fernandes, Ivan Lessa e Ziraldo. O Pasquim os juntou; a irreverência os manteve juntos.
Nenhum dos três pediu licença para ter razão. É por isso que a gente relê os três aqui — não por saudade, mas porque o presente anda raso. Puxe uma cadeira.
— A Redação
Rio de Janeiro, 2026
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A matéria
Três que não tinham medo de pensar alto
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01 · 1923–2012
Millôr Fernandes
Humorista, dramaturgo e desenhista
Foi o homem que provou que uma frase curta pesa mais que um tratado. Enquanto a ditadura mandava calar, ele respondia com humor — e o humor, na mão dele, virava a forma mais séria de dizer a verdade. Cartunista, dramaturgo, tradutor de Shakespeare e cronista, recusou rótulos porque cabia em todos.
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“Sábado, domingo e feriado foram feitos para o homem. O homem foi feito nos outros dias.”
— Millôr Fernandes
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02 · 1935–2012
Ivan Lessa
Jornalista, cronista e roteirista
Nenhum brasileiro descreveu o Brasil com tanta precisão de longe. D'O Pasquim à BBC de Londres, transformou a crônica em bisturi: cortava fundo, mas com uma elegância que fazia doer só depois. Lessa não escrevia para agradar; escrevia para acertar.
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“A cada quinze anos, o Brasil esquece o que aconteceu nos quinze anos anteriores.”
— Ivan Lessa
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03 · 1932–2024
Ziraldo
Cartunista e escritor
Fundou O Pasquim com a mão que enfrentou a censura e, com a mesma mão, criou o Menino Maluquinho para ensinar gerações inteiras a ler sem medo. Poucos artistas brasileiros transitaram com tamanha desenvoltura entre o traço político mais mordaz e a ternura mais pura.
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“O Menino Maluquinho não era hiperativo. Era feliz.”
— Ziraldo
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A frase da semana
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Dormir pode. Não pode é babar.
— Millôr Fernandes
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Reunião de Cultura
Edição #001 · Millôr, Ivan Lessa & Ziraldo
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